Maleta da História
A ação educativa Maleta da História integrou o projeto “Imagens Reveladas. Tesouros Escondidos”, realizado entre 2019 e 2022…Saiba mais

O PROJETO CEDOC VAI À ESCOLA faz parte das ações extramuros do Centro de Documentação Histórica da Fundação Romi, e tem como objetivo difundir e ampliar o acesso ao acervo possibilitando o reconhecimento e a importância da história para o entendimento da sociedade.
Essa ação educativa utilizará fotografias, jornais, livros e objetos para explorar a história e a utilização do “TELEFONE” na cidade de Santa Bárbara d’Oeste propondo reflexões sobre o passado e o presente nas suas relações de continuidade e mudanças.
O telefone foi inventado em 1876 pelo escocês Alexander Graham Bell, em Boston, Estados Unidos. A pesquisa de Bell o levou a descoberta de que uma corrente elétrica podia ser alterada de modo a imitar as vibrações produzidas pela voz. E esse foi o princípio do telefone.

Alexander Graham Bell. Acervo: Enciclopédia Britânica
No Brasil, o telefone chegou por meio de D. Pedro II, o autor da frase “Meus Deus isso fala”. O imperador ficou admirado com a invenção de Graham Bell exposta na Feira Internacional da Filadélfia, nos Estados unidos em 1876. Os primeiros aparelhos foram um presente de Alexander Graham Bell ao imperador e começaram a funcionar em janeiro de 1877, no Palácio São Cristóvão, hoje, Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

Estação de Vila Americana. 1900
Em 1891, foi instalado em Santa Bárbara o primeiro telefone na residência de Albino Picada, localizada na rua Santa Bárbara, esquina com a rua Floriano Peixoto. Esse telefone ligava a casa à Estação da Vila de Santa Bárbara, hoje, Estação Ferroviária de Americana. Albino Picada era de origem Portuguesa, além de empreiteiro e fornecedor de dormentes para a Cia. Paulista de Estrada e Ferro.

Estação de Vila Americana. 1900. Acervo: CEDOC Fundação Romi.
As primeiras centrais telefônicas eram manuais. Todas as ligações passavam por uma telefonista da central que fazia a conexão entre as linhas. A tendência dos primeiros aparelhos telefônicos era de acentuar frequências vocais mais altas. Como as vozes femininas eram mais claras o trabalho era executado basicamente por mulheres, para as quais a invenção proporcionou oportunidade de trabalho.

Telefonistas na mesa interurbana, no ano de 1929. Acervo: Museu: MT/OI – Museu das Telecomunicações/Oi Futuro
Do final do século XIX até o início do século XX há noticias de uma empresa telefônica na cidade, mas não foi possível saber quem foi o seu proprietário, o endereço e como funcionava.

Fonte: Jornal O Barbarense, 24/06/1900.
A primeira linha telefônica regular de Santa Bárbara foi concedida a Joaquim Veríssimo de Oliveira, pelo Decreto n.º 2411, de 13 de agosto de 1913, ligando Santa Bárbara às cidades de Campinas e Piracicaba. A partir de então, Joaquim Veríssimo passou a ter direito de uso e exploração, oferecendo aparelhos particulares aos barbarenses.
Acesse a lei: http://dobuscadireta.imprensaoficial.com.br/default.aspx?DataPublicacao=19130817&Caderno=Diario%20Oficial&NumeroPagina=3519

Joaquim Veríssimo de Oliveira.1918. Fonte: Jornal A Verdade 08/10/1918, p.2.
Em junho de 1930, João da Silva Cristovam adquiriu a empresa telefônica que se localizava na rua Dona Margarida, esquina com a rua General Osório. Nesta época a Empresa Telefônica Santa Bárbara contava com 12 assinantes.

João da Silva Cristovan. Década de 1950. Acervo: CEDOC Fundação Romi.
Em 1953 a empresa possuía aproximadamente 150 assinantes e, quem não dispusesse de aparelhos, poderia fazer suas ligações nas cabines telefônicas que existiam na empresa. As ligações aconteciam das 7h às 22h, horário em que as telefonistas estavam na empresa para efetuarem as chamadas. Em 1958, a empresa atendeu mais de 3.000 ligações interurbanas mensais e os seus postes se espalhavam por todos os cantos da cidade.
No período de funcionamento da Empresa Telefônica Santa Bárbara (1930-1960), muitas telefonistas atuaram na empresa e os depoimentos de algumas delas estão registrados no programa “História e Memória” exibido pela TV Cultura de Santa Bárbara em 4 de março de 1998.

Telefonista Maria de Lourdes Mesquita. 1955. Acervo: CEDOC Fundação Romi.
“Quando a chapinha caia você sabia o assinante que estava tocando, então, você tinha que ter guardado na cabeça o número da pessoa. Eram 2 pinos juntos, 2 cordões de pinos”. Zuleica Porto da Silva (ex-telefonista da Empresa Telefônica Santa Bárbara).
“A gente sentava no centro telefônico e já os assinantes tocavam pedindo ligações. Tinha que ser rápida, muito ágil. Você pedia, me liga, por exemplo na Usina Santa Bárbara, (3), eu pegava outro pino da mesma direção ligava no 3, pronto e ficava na escuta. Tinha que ficar escutando, porque se não ficasse na escuta você parava de falar eu desligava os pinos, ali não havia mais ligação e quando vocês acabavam eu tirava os pinos e fechava as chaves.” Maria de Lourdes Graciano Mesquita (ex-telefonista da Empresa Telefônica Santa Bárbara).

João da Silva Cristovan, sua esposa e filha. Década de 1940. Acervo: CEDOC Fundação Romi.
Com o passar dos anos surgiu a ideia de automatizar as ligações telefônicas, pois havia necessidades que não eram atendidas pelo serviço telefônico em operação como: maior sigilo nas ligações e garantia de flexibilidade nos horários das chamadas. A proposta partiu dos vereadores Zeno Maia e Sérgio Leopoldino Alves e contou com a participação de Américo Emílio Romi.
Em 22 de junho de 1957 realizou-se uma assembleia com o objetivo de propor melhorias nos serviços telefônicos da cidade e assim, foi constituída a TEBASA: Telefônica Barbarense S.A. com a participação de acionista que investiram para melhorar o serviço na cidade.

Reunião de constituição da Telefônica Barbarense S.A. 22/06/1957. Acervo: CEDOC Fundação Romi
Mas, somente em junho de 1959 iniciaram-se as obras de abertura de valetas, confecção de dutos de concreto para passagem dos cabos telefônicos pela rede subterrânea e para a instalação da central de telefones automáticos.

Instalação de cabos telefônicos da empresa Tebasa na Praça Coronel Luiz Alves. Década de 1960. Acervo: CEDOC Fundação Romi.
Em 17 de dezembro de 1960 a Telefônica Barbarense S.A. (TEBASA) foi inaugurada e a partir de então as chamadas locais passaram a ser automáticas, mas o interurbano era feito com o auxílio das telefonistas. Confira as matérias dos jornais da cidade noticiando a inauguração:
https://cdoc.fundacaoromi.org.br/imagens/jornais/jornaldoeste/1960/0584/JD058410.pdf
https://cdoc.fundacaoromi.org.br/imagens/jornais/jornaldoeste/1960/0584/JD058401.pdf

Inauguração da TEBASA. 17/12/1960. Acervo: CEDOC Fundação Romi.
Em função da mudança no serviço telefônico a TEBASA publicou na imprensa barbarense instruções sobre o uso do telefone automático, para auxiliar as pessoas em suas ligações.
Veja em Jornal d’Oeste, 11/12/1960

A população da cidade que não possuía a linha telefônica poderia se dirigir até a TEBASA onde existiam cabines telefônicas que serviam ao público em geral.

Manuel Teixeira, Leonel Duarte, Hilda; a telefonista Sonia; a chefe das telefonistas, Maria Sacchetto e a telefonista Deolinda Varela. 17/12/1960. Acervo: CEDOC Fundação Romi.
Foi somente em 1974 que foram inaugurados os telefones públicos “orelhões” os quais foram instalados em vários bairros da cidade como: Jardim S. Francisco, Vila Sartori, Vila Oliveira, Jardim Panambi (Fórum), Santa Luzia, Núcleo das casas populares e um centro telefônico.
Confira a noticia em Jornal d’Oeste, 09/03/1974.
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No ano de 1976 a Telefônica Barbarense S/A-TEBASA teve seu patrimônio incorporado pela TELESP encarregada das comunicações telefônicas no Estado de São Paulo. Como a TEBASA era rentável e funcionava muito bem foi uma das últimas empresas do estado a ter seu patrimônio incorporado pela empresa estatal.
Confira os jornais da época.
Jornal Edição Barbarense, 03/04/1976
Jornal d’Oeste, 04/04/1976

Os acionistas da TEBASA passaram a ter ações da TELESP e a empresa, em contrapartida, se comprometeu a investir nos serviços de telefonia na cidade e na construção de um novo prédio para a central. Dessa forma, no ano de 1979 a TELESP implementou o serviço de telefonia por DISCAGEM DIRETA A DISTÂNCIA (DDD) possibilitando chamadas interestaduais sem a necessidade de uma telefonista para completá-las.
Confira em Jornal d’Oeste, 05/04/1979

Em 4 de julho de 1994 a TELESP CELULAR inaugurou o sistema de telefonia celular em Santa Bárbara d’Oeste, em uma cerimônia que aconteceu na prefeitura municipal. Em um primeiro momento disponibilizou 200 linhas, que passaram a operar na região a partir da central telefônica localizada na Zona Leste.

Prefeito José Maria de Araújo Jr. na solenidade de inauguração do sistema de telefonia celular e ruralcel. 04/07/1994. Acervo: CEDOC Fundação Romi.
Diferentemente de hoje, em que a variedade de modelos de celular chega aos milhares, a oferta de modelos de celular em 1994 não passava de sete. Um dos mais conhecidos da época, o Motorola Microtac, ficou popularmente conhecido como “Tijolão”, por conta do seu tamanho e rigidez.

Em julho de 1998 a telefonia móvel no país foi privatizada, e a TELESP foi vendida para empresa espanhola Telefónica S.A., conhecida hoje como Vivo.
No acervo do CEDOC há uma série de TELEFONES, objetos que auxiliam no entendimento da evolução desse meio de comunicação criado por Alexander Graham Bell, em 1876.
Você consegue imaginar o dia a dia sem o telefone? Principalmente o celular?
É fato, que hoje o TELEFONE é o meio de comunicação mais usado e à medida que foi evoluindo, também foi se popularizando.
Confira alguns exemplares de telefones que fazem parte do acervo do CEDOC.
TELEFONE DE PAREDE – 1901

Do que ele é feito?
O telefone é feito de madeira com componentes de metal, duas pilhas grandes, uma manivela, uma extensão para voz e uma extensão para ouvir.
Como ele funcionava?
Para realizar uma ligação era necessário girar a manivela do aparelho, que por sua vez, criava uma corrente elétrica alternada para a condução de uma ligação. Essas correntes alternadas percorriam cabos elétricos que eram instalados nos postes de iluminação das cidades e que faziam conexões diretas, cabo a cabo, com as centrais telefônicas e, sucessivamente com outras casas que possuíam o aparelho telefônico.
TELEFONE DA COMPANHIA TELEFÔNICA BRASILEIRA (CTB) – DÉCADA de 1950

Do que ele é feito?
O aparelho é feito de plástico com componentes elétricos. O modelo não possui números, mas uma manivela para realizar as ligações além de fone para fazer ou atender uma chamada. Uma extremidade do fone tem um microfone, junto ao qual a pessoa fala; a outra extremidade tem um pequeno alto-falante, pelo qual se escuta.
Como ele funcionava?
Para realizar uma ligação era necessário girar a manivela do aparelho, que por sua vez, criava uma corrente elétrica alternada para a condução de uma ligação. Essas correntes alternadas percorriam cabos elétricos, que eram instalados nos postes de iluminação das cidades, e que faziam conexões diretas, cabo a cabo, com as centrais telefônicas e sucessivamente com outras casas que possuíam o aparelho telefônico.
TELEFONE DE DISCO COBRA – 1957

Do que ele é feito?
O aparelho é feito de plástico com componentes elétricos. Os locais que são utilizados para ouvir e falar ficam na parte frontal do telefone. O discador, em forma de disco, fica localizado na base do telefone e conta com os números de 0 a 9. Juntamente com o disco há um botão central que tem a função de ligar e desligar o telefone.
Como ele funcionava?
Para ligar o aparelho era necessário levanta-lo para discar o número desejado. Após a discagem do número a ligação era realizada. Para encerrar uma ligação bastava colocar o telefone em uma superfície plana.
TELEFONE ERICSSON DBH CTB – 1960

Do que ele é feito?
O aparelho é feito de plástico com componentes elétricos. Ele possui um disco central com números de 0 a 9, localizados na parte superior da peça, além de fone para fazer ou atender uma chamada. Uma extremidade do fone tem um microfone, junto ao qual a pessoa fala; a outra extremidade tem um pequeno alto-falante, pelo qual se escuta.
Como ele funcionava?
Para realizar a ligação era necessário tirar a alça do gancho e discar o número desejado. Após a discagem do número a ligação era realizada automaticamente. Para encerrar uma ligação bastava colocar a alça de volta no aparelho.
TELEFONE ERICSSON DGL – 1977/78

Do que ele é feito?
O aparelho é feito de plástico com componentes elétricos. Ele possui um disco central com números de 0 a 9, localizados na parte superior da peça além de fone para fazer ou atender uma chamada. Uma extremidade do fone tem um microfone, junto ao qual a pessoa fala; a outra extremidade tem um pequeno alto-falante, pelo qual se escuta.
Como ele funcionava?
Para realizar a ligação era necessário tirar a alça do gancho e discar o número desejado. Após a discagem do número a ligação era realizada automaticamente. Para encerrar uma ligação bastava colocar a alça de volta no aparelho.
TELEFONE GTE / STARLITE – 1980/90

Do que ele é feito?
O aparelho é feito de plástico com componentes elétricos. Ele possui um disco central com números de 0 a 9, localizados na parte superior do objeto, além de fone para fazer ou atender uma chamada. Uma extremidade do fone tem um microfone, junto ao qual a pessoa fala; a outra extremidade tem um pequeno alto-falante, pelo qual se escuta. O aparelho foi popularmente apelidado de “tijolinho de disco” no Brasil.
Como ele funcionava?
Para realizar a ligação era necessário tirar a alça do gancho e discar o número desejado. Após a discagem do número a ligação era realizada automaticamente. Para encerrar uma ligação bastava colocar a alça de volta no aparelho.
TELEFONE EMFT 15 – 1980/90

Do que ele é feito?
O aparelho é feito de plástico com componentes elétricos. Ele possui um teclado que vai de 0 a 9 e teclas para outras funções específicas como o (Flash), (Mode), (LND), (#) e (*), além de fone para fazer ou atender uma chamada. Uma extremidade do fone tem um microfone, junto ao qual a pessoa fala; a outra extremidade tem um pequeno alto-falante, pelo qual se escuta.
Como ele funcionava?
Para realizar uma ligação era necessário tirar a alça do gancho e teclar o número desejado. Após teclar o número a ligação era realizada automaticamente. Para encerrar uma ligação bastava colocar a alça de volta no aparelho.
TELEFONE MOTOROLA MICROTAC – 1995

Do que ele é feito?
O aparelho é feito de peças eletrônicas, plástico e borracha. O modelo conta com uma bateria removível na parte traseira e teclas na parte frontal que são protegidas por um compartimento. O telefone conta também com uma antena, entrada para fones de ouvido e teclas específicas para enviar mensagens de texto.
Como ele funcionava?
Antes da invenção chip, qualquer celular para fazer ligações precisava habilitar uma linha. Para realizar uma ligação era necessário abrir a aba que protege as teclas, ligar o aparelho e teclar o número desejado. Após teclar o número a ligação era realizada automaticamente. Para encerrar uma chamada, bastava apertar um botão específico.
TELEFONE STARTAC ST7760 – 1998

Do que ele é feito?
O aparelho é feito de peças eletrônicas, plástico e borracha. O modelo é dividido em duas partes, sendo a superior composta pela tela e a parte inferior pelo teclado. A bateria é removível e está localizada na parte traseira do aparelho. O telefone conta também com uma antena, entrada para fones de ouvido e teclas específicas para enviar mensagens de texto.
Como ele funcionava?
Para realizar uma ligação era necessário abrir o aparelho e teclar o número desejado. Após teclar o número a ligação era realizada automaticamente. Para encerrar uma chamada, bastava apertar um botão específico.
TELEFONE SAMSUNG SGH (C510L) – 2008

Do que ele é feito?
O aparelho é feito de peças eletrônicas, plástico e borracha. O modelo é dividido em duas partes, sendo a superior composta pela tela e a parte inferior pelo teclado. A bateria é removível e está localizada na parte traseira do aparelho. O telefone conta também com uma antena, entrada para fones de ouvido, teclas específicas para enviar mensagens de texto, câmera fotográfica e chip.
Como ele funcionava?
Para realizar uma ligação era necessário abrir o aparelho e teclar o número desejado. Após teclar o número a ligação era realizada automaticamente. Para encerrar uma chamada bastava apertar um botão específico.
Com o objetivo de reunir material histórico, subsídios para ação educativa “CEDOC vai à escola”: edição O TELEFONE, a equipe técnica fez um levantamento minucioso no acervo da instituição referente ao tema. O período pesquisado foi do início do século XX até a instalação da telefonia celular no início da década de 1990.
Essa publicação reúne as notícias de jornais, leis e fotografias que auxiliam no contato direto com as fontes sobre como o telefone, um meio de comunicação, hoje tão popular que um dia foi de acesso restrito. O levantamento permite observar a evolução dos equipamentos e as adequações ocorridas na cidade em função de sua evolução.
Fontes para pesquisas sobre a telefonia em Santa Bárbara d’Oeste