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Publicado em 11/11/2020


Dante Tortelli nasceu em Santa Bárbara d’Oeste, aos 28 dias do mês de março de 1896, na casa de número 45 da rua XV de Novembro, na área central do município. Era filho do comerciante de secos e molhados, Pedro Tortelli e de Maria Domênica Francchi Tortelli.


Dante Tortelli.1917.

Viveu toda sua vida em Santa Bárbara, sendo, de acordo com depoimentos de pessoas que conviveram com ele, extremamente bairrista. Segundo Mario Benith, amigo de Dante na juventude, seu apego pela cidade natal era tanto que, em conversas com amigos, sempre dizia que aquela era a “melhor cidade do mundo”. Ainda de acordo com as lembranças de Benith, Dante nunca fora ambicioso, assinalando para exemplificar esse traço de personalidade do músico, que o mesmo “nasceu na rua XV de Novembro e morreu na rua XV de Novembro”. Outro aspecto que ressaltava essa falta de ambição e a pouca importância dada para os ganhos materiais e o “sucesso”, era o fato de que Dante, apesar de exímio musicista, jamais explorou esse talento com vistas a ganhos pessoais.


Integrantes da banda "Jazz Band Barbarense". 1929.

Era sapateiro de profissão, ofício que exerceu por toda sua vida, mas a música era seu verdadeiro talento. Nas lembranças dos seus contemporâneos, está a figura de Dante Tortelli como o melhor músico de Santa Bárbara d’Oeste de sua época, um artista capaz de compor letras, arranjos, melodias para diversos instrumentos, além de organizar, ensaiar e reger bandas, orquestras e grupos de seresta. Envolvido no mundo das artes, Dante fundou, junto de outras pessoas, os clubes União Operária e Barbarense, além de ter organizado o que foi a primeira (ou no mínimo uma das primeiras) banda de jazz de Santa Bárbara, a “Jazz-Band Barbarense”. Dos conjuntos musicais dos quais participou, sempre como líder, procurava realizar apresentações em clubes locais mesmo sem combinar cachê para ele ou para os outros músicos.

Além da paixão pela música, pelas óperas, serestas e aos instrumentos, Dante também se aventurou no futebol, chegando a jogar pelo time do União Barbarense, ainda antes da fase do clube no futebol profissional.


Equipe do União Agrícola Barbarense Futebol Clube em formação de 1918.

O músico morreu aos 51 anos de idade, no dia 4 de novembro de 1947. Houve intensa comoção na cidade, uma vez que Tortelli participava ativamente de toda a vida social de Santa Bárbara, como músico e também participando das festividades, bailes e outros eventos, sendo que, pouco menos de um ano antes de seu falecimento, dirigiu a recém-formada banda “Jazz Nosso Clube”, constituída por elementos que frequentavam aquela agremiação. Foi, de acordo com depoimentos de contemporâneos, o primeiro velório e enterro na cidade a ser acompanhado por banda de música, nessa ocasião, a Corporação Musical União Barbarense. Segundo os amigos de seu convívio, era uma personalidade que tinha admiradores em todas as classes sociais, mantendo laços de amizade em todos esses setores, sem distinção.

Já no início de 1948, uma comissão foi organizada na diretoria do Nosso Clube, localizado então na Rua XV de Novembro, área central de Santa Bárbara d’Oeste, para que fossem estabelecidos os objetivos e os recursos necessários para uma homenagem póstuma ao músico. Os partícipes da comissão eram todos conhecidos ou antigos parceiros de Dante e desejavam que o maestro e compositor tivesse um busto erigido em praça pública e suas obras fossem compiladas em disco, objetivos que não se concretizaram dessa maneira, apesar dos esforços empreendidos pela comissão.

Contudo, os membros não se resignaram e foi então lançada uma campanha “pró tumulo” de Dante Tortelli, que foi abraçada por diversos setores da cidade, entre artistas, seresteiros, comerciantes, políticos e outras pessoas que admiravam o músico. Uma série de festas e eventos foram promovidos com a intensão de levantar fundos para a homenagem póstuma, agitando a vida social da cidade. Em 11 de dezembro de 1948, no Clube Barbarense, aconteceu uma “Audição de Piano”, onde a professora Dirce Guerreiro Kirche executou diversas obras durante o concerto, inclusive, na 2ª parte do programa, “Agonia Lenta”, da lavra de Tortelli. Da renda obtida nesse evento, metade foi destinada à campanha pró-túmulo. A quantia foi alcançada e o túmulo para homenagear o músico foi construído no Cemitério Central (hoje, Campo da Ressurreição).



Jazigo de Dante Tortelli. Cemitério Campo da Ressurreição. 2020.


Anos após essa homenagem póstuma, Dante foi novamente lembrado por seus conterrâneos, dessa vez, emprestando seu nome a uma das ruas da cidade em que viveu. Por iniciativa do então vereador Mario Benith, a Câmara Municipal aprovou e o Prefeito à época, Américo Emílio Romi promulgou a Lei nº 188/54, publicada em 7 de dezembro do mesmo ano, dando à "via pública que se inicia na Rua 13 de Maio e vai até a Rua Floriano Peixoto" a denominação de Rua Dante Tortelli. Daí em diante o compositor seria lembrado em várias ocasiões, seja por artista e simpatizantes ou mesmo pelos poderes públicos.


Um exemplo foi a exposição “Dante Tortelli”, realizada na Casa do Artista Antonio Duarte, na época localizada na Praça João XXIII, próximo ao terminal urbano. A mostra fazia parte da “Semana Dante Tortelli”. Na abertura da exposição, os presentes puderam acompanhar os depoimentos de amigos do músico, as histórias sobre sua personalidade e ouvir algumas de suas composições interpretadas por eles. De iniciativa da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura, a mostra ficou aberta até o dia 12 de abril de 1992.


Abertura da exposição "Dante Tortelli". 1992.

No final de março de 1996, a Prefeitura Municipal de Santa Bárbara d’Oeste, por meio de sua emissora de rádio, a FM Municipal, prestou uma homenagem ao músico pelo centenário de seu nascimento. Nos dias que se seguiram a data, 28 de março, a Corporação Musical União Barbarense e diversos músicos da cidade também prestaram suas homenagens ao maestro Tortelli, na forma de apresentações e serestas que aconteceram na cidade.


Pouco mais de um ano depois, em novembro de 1997, novamente Dante recebeu homenagens, dessa vez pela passagem dos 50 anos de seu falecimento. Na ocasião, o Museu da Imigração de Santa Bárbara d'Oeste organizou uma exposição sobre a vida e obra do músico, trabalho coordenado por Dinéia Maria Fornasari de Almeida, que ficou aberta ao público até o dia 9 de novembro. Nesse mesmo mês, porém no dia 1º, Dante foi também homenageado no programa “Canta Santa Bárbara”, em meio a outros músicos e artistas barbarenses.

Músico autodidata, Dante jamais se preocupou, pelo que se ouve de contemporâneos do músico, em gravar suas composições, arranjos e letras. Teve suas músicas interpretadas por artistas da cidade e região, e, ainda de acordo com as recordações de Mario Benith, até sua valsa “Agonia Lenta”, executada pelo grupo de Pixinguinha, o lendário maestro brasileiro que acompanharia ao longo de sua carreira artistas como Carmen Miranda, Francisco Alves, Vinicius de Moraes etc., em 1919, no Rio de Janeiro.

Como não poderia deixar de ser, numa pesquisa sobre uma personalidade como a de Dante Tortelli, selecionamos alguns áudios e vídeos para que o leitor possa conhecer um pouco, para além das palavras, quem foi e o que fez o músico barbarense. Nessa seleção, está o áudio da valsa Agonia Lenta, e de uma outra valsa, esta intitulada Orgulhosa, para que se possa ouvir essas composições do artista.

No vídeo, foi realizada uma compilação de depoimentos dados por amigos e parceiros do músico por ocasião do evento “Semana Dante Tortelli” realizado em 1992 com relatos de Tom Leite, José Leite de Godoy, Aracy Tortelli, Nor Major e Zé do Dante. Clique aqui para assistir ao vídeo.

Deixamos os áudios para o final do trabalho, pois qualquer coisa sobre Dante, deveria por obrigação, terminar com música.



Referências
Jornais: Cidade de Santa Bárbara, A Vanguarda, O Barbarense, A Verdade, A Metralha, O Constitucionalista, Jornal D’Oeste, O Jornal do Povo, Diário de Santa Bárbara, O Liberal (Americana).


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Dante Tortelli


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