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Publicado em 08/09/2020


Santa Bárbara d’Oeste está em constante transformação e os registros dessas mudanças ficam marcados nos documentos, fotografias, na memória das pessoas e também nos prédios da cidade. Houve um tempo em que, no lugar em que hoje está construído o estacionamento do Centro de Exames e Diagnósticos "Dr. Rubens Erhardt Brito, na Rua Prudente de Morais, ficava o Centro Médico Municipal Dr. Domingos Finamore, e antes dele, no mesmo prédio, funcionou o Hotel Municipal, propósito original de sua construção.


Hotel Municipal, 21/11/1991.

Pode parecer estranho para nós, saber que o município tenha estado à frente de um empreendimento como esse; um hotel, afinal por que a prefeitura se daria a esse trabalho? Já não havia outros hotéis na cidade que pudessem suprir essa demanda? De fato, havia outros hotéis já desde muito tempo em Santa Bárbara, sendo o Hotel Modesto Lemos o mais antigo do qual temos conhecimento (Jornal Cidade de Santa Bárbara ed.304 p.03). Porém o que os registros mostram é que, os hotéis que existiram antes do Hotel Municipal eram considerados modestos para os padrões da época, sendo por vezes substituídos por estabelecimentos de cidades vizinhas, como mostra o Jornal D’Oeste de 21 de julho de 1968:



A questão do Hotel Municipal já vinha de muito tempo antes de sua construção, em 27 de julho de 1956, o então prefeito Benedito da Costa Machado, deu os primeiros passos para que o empreendimento começasse a tomar forma, como mostra a lei 225/56, ficou determinado que o prédio onde funcionaria o Hotel ficaria isento de impostos por 15 anos, seriam convocadas a apresentar proposta as empresas interessadas em assumir a obra e uma comissão seria instaurada para analisar tais propostas. Cerca de quatro anos depois, em 1960, o Prefeito Dirceu Dias Carneiro da início um ambicioso plano de desenvolvimento urbano em Santa Bárbara d'Oeste, chamado “Plano Diretor”, nesse plano, o Hotel Municipal figurava entre duas outras obras que deveriam ser feitas em uma faixa de terra desapropriada no entorno da praça central: uma escola e um mercado municipal. Porém não seria na gestão de Dirceu Dias Carneiro que o Hotel Municipal começaria a tomar forma, mas sim com Angelo Giubbina, que em 1968 abre edital para que seja escolhida uma empresa para assumir a obra. A construtora Morais Ferrari & Cia Ltda vence o edital e no mesmo ano começam os trabalhos, concluindo o Hotel em março de 1969, já sob a gestão de um novo prefeito: Braulio Pio.


Vista lateral do Hotel Municipal, 20/11/1991.


No dia 6 de setembro de 1969, sob uma grande cerimônia e com as bençãos do padre Victório Freguglia, o Hotel Municipal é finalmente inaugurado, marcam presença o prefeito Braulio Pio, o ex-prefeito Ângelo Giubbina e diversos vereadores que discursam ressaltando a importância da obra para o progresso de Santa Bárbara d’Oeste.
O Hotel Municipal, em sua inauguração contava com 25 quartos e 8 apartamentos, além de espaços para recepção e festas, distribuídos em dois andares com 1600 metros de construção. Sua administração ficou a cargo do senhor José Gonçalves, ex-vereador barbarense popularmente conhecido como Zé Vidraceiro.


Vista lateral do Hotel Municipal, 1981.


Apesar da festa, a existência do hotel foi marcada por polêmicas, até mesmo anteriores à sua inauguração. Em ata da 2º sessão da Câmara de vereadores, em 10 de fevereiro de 1969, o vereador Gilberto Colla aponta que os valores da desapropriação para construção do hotel, inicialmente previstos em 14 milhões de cruzeiros e que, ao serem questionados na justiça, acabaram por se elevar para 224 milhões, somados aos custos gerais da obra, acabaram custando aos cofres públicos algo em torno de 500 milhões de cruzeiros, nessas condições e dada a situação econômica do município, o vereador julgava que se faria um mal investimento. Além desse aspecto, a concorrência aberta para que o Hotel fosse arrendado, contou com apenas José Gonçalves como proponente, e o valor do aluguel a ser pago foi considerado extremamente baixo, o que alimentou uma série de críticas ao prefeito Bráulio Pio.




Mesmo com as polêmicas, durante sua existência, o Hotel cumpriu seu papel como bom espaço de hospedagem para os visitantes e turistas. Um levantamento feito pelo Jornal D’Oeste no ano de 1979 apontou que no ano anterior 7215 pessoas haviam se hospedado no Hotel Municipal, representando uma média de 20 pessoas por dia em 1978 (Jornal D'Oeste ed.2130 p.01). O Hotel era frequentemente usado como espaço para concentração dos atletas do União Barbarense, ocupado por autoridades que vinham em compromissos oficiais, e até mesmo, em uma determinada ocasião, foi o endereço para um torneio internacional de xadrez, ocorrido em 1986 (Jornal D'Oeste ed.3132 p.06).


O ano de 1991 marca o fim do Hotel Municipal, na época arrendado por Antonio Cogo com quem a prefeitura travou uma batalha judicial, fartamente documentada pelos jornais da época. O motivo principal da disputa pelo prédio se dava por conta de que, o contrato previa que a administração permanecesse com Cogo até o ano de 1992, e a gestão de Isaias Hermínio Romano via com urgência a necessidade de um novo Centro Médico na cidade. Por fim, um acordo fechado entre as partes determinou o pagamento de 6 milhões de cruzeiro para que Antonio Cogo desocupasse o prédio até 31 de agosto de 1991 (Jornal Diário ed.0973 p.01), de forma que, sem maiores complicações o acordo foi cumprido, e essa data marcou o fim do Hotel Municipal de Santa Bárbara.


Solenidade de inauguração do Centro Médico Municipal Doutor Domingos Finamore, 20/11/1992.


Em 20 de novembro de 1992, a Prefeitura Municipal de Santa Bárbara d’Oeste inaugurou no local o Centro Médico Municipal Dr. Domingos Finamore, após o edifício passar por reformas, reformulações e adaptações. O prédio atendeu as atividades da saúde no município até 2020 quando foi demolido.



Vista do local onde estava edificado o prédio do Hotel Municipal. Setembro/2020.

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