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Publicado em 28/05/2020

A origem da Festa Junina e a sua comemoração em Santa Bárbara d’Oeste na década de 1940.


A equipe do CEDOC da Fundação Romi fez um levantamento de fontes sobre a origem da festa junina e a sua comemoração na década de 1940 no município de Santa Bárbara d’Oeste.


INTRODUÇÃO
As festas juninas tem origem de nascimento entre os povos pagãos do Hemisfério Norte, que no dia de solstício de verão reuniam-se para saudar os deuses da fertilidade da terra e das boas colheitas. Por volta do século VI, a igreja católica incorpora a festa em seu calendário festivo, passando a comemorar o nascimento de São João Batista e mantendo a condição de festa da colheita.

Já no século XVI, com a chegada dos portugueses no continente brasileiro, essas comemorações continuaram ser realizadas pelos jesuítas. Segundo a autora Heloisa Ribeiro, no artigo “Rotas da fé: Festas Juninas”, argumenta que o “período das festas juninas coincidia, ainda, com a época do ano em que os índios realizavam seus rituais de fertilidade. Essa coincidência de comemorações fez com que as festas juninas se tornassem rapidamente, uma das preferidas da população. Além disso, em muitas regiões do Brasil, era a época da seca, quando os rios baixos e o solo seco deviam ser preparados para o próximo plantio. Os roçados do ano anterior ainda continham mandioca, cará, inhame, batata-doce, abóbora e abacaxi. Além do que, era o período da colheita do milho, do feijão e do amendoim.”

Por várias casualidades do tempo e da história as duas comemorações se encontraram tornando-se uma só. Os costumes e tipos de comemorações foram se fundindo durante o longo dos anos e dando outras interpretações a festa, com o é o caso do “casório” que ainda carrega o significado da fertilidade.

Heloisa Ribeiro complementa afirmando que “como o território brasileiro é muito grande, com o passar do tempo as comemorações portuguesas foram agregando variações regionais, apesar de conservarem um núcleo religioso comum de louvor aos santos do mês de junho. Vários novos elementos foram incluídos nas comemorações ao longo dos anos, no entanto, as festas juninas continuam sendo as guardiãs da tradição secular de dançar ao redor do fogo.”


FESTA DE SÃO JOÃO COMEMORADA EM SANTA BÁRBARA D'OESTE

No início do século XX uma das religiões predominantes em Santa Bárbara era o catolicismo, e uma das principais festas realizadas no mês de junho era a festa junina em homenagem a São João. Os nomes dados à tradicional festa eram: Festas Joaninas, Festa Caipira, Festa de São João, Baile de São João, Baile Caipira, Baile de São Pedro, Baile à Caipira, Louvor a S. João Batista entre outros.

Santa Bárbara d'Oeste, no início da década de 1940, já se destacava na parte econômica com a presença de usinas, fábricas, comércios entre outros negócios. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1948, o município tinha uma população de 12.065, sendo 8.818 habitantes na área rural e 3.247 na área urbana. O setor econômico era muito forte na produção de álcool e açúcar através de cinco usinas instaladas na cidade: Usina Santa Bárbara, Cillos, Galvão, Rochele e Furlan. Também possuía muitas fábricas como: Máquinas Agrícolas Romi LTDA; Fábrica de Arados Sans; Fábrica de Arados de Francisco Mattedi & Filhos; Companhia de Fiação e Tecelagem Santa Bárbara entre outras.

Nessa época, a festa junina era muito tradicional na área rural, mas vinha se popularizando na área urbana, sendo festejadas principalmente nos clubes sociais como: o Esporte Clube Barbarense, localizado na rua Dona Margarida e a Sociedade Dançante União Operária, situado na rua XV de Novembro.

A divulgação da festa era através de convites, boletins, jornais e o rádio. Para animar as festas haviam bandas, orquestras e grupos musicais como: Coringa-Jazz, Orquestra de Birico de Campinas, Orlando e sua Royal orquestra, Sanfoneiros Sansão e seus filhos entre outros.



No acervo de jornais do CEDOC da Fundação Romi é possível acompanhar como a imprensa local trazia informações das festas juninas. O jornal Cidade de Santa Bárbara em 19 de julho de 1942, noticiou o “Baile à Caipira” relatando que a Sociedade Dançante União Operária já iniciou os preparativos e que foram contratados os famosos e conhecidos sanfoneiros Sansão e seus filhos. Já em 18 de junho de 1944, o jornal Cidade de Santa Bárbara publicou a notícia “Festas Joaninas no Clube Barbarense” informando que uma comissão de moças e rapazes estava organizando o evento que seria realizado no dia 24 com serviço de lanche e bar, cachorro quente, estando a sede iluminada e enfeitada a caráter.



No CEDOC há também um grande acervo fotográfico desse tema muitas delas produzidas pelo fotógrafo Augusto Strazdin.

Baile caipira no Clube Barbarense – Centro, 23/06/1945. Coleção particular de Augusto Strazdin / Fotógrafo: Augusto Strazdin.


Strazdin registrou na década de 1940 várias festas de São João realizadas no Esporte Clube Barbarense (sede-centro) e na Sociedade Dançante União Operária. Ao analisar as imagens pode-se ver as decorações referentes à festa como bandeirinhas, participantes da festa com chapéu de palha e blusa xadrez, porém outros convidados usando terno e gravata.






Quando se fala de festa junina ou festa de São João vem à memória as comidas típicas como: quentão, milho, pipoca, pamonha, canjica entre outras. E também as danças regionais como o sertanejo e o forró acompanhados por uma quadrilha com casais vestidos a caráter, ou seja, os homens com camisas listradas, calças remendadas, chapéu de palha e bigode, e as mulheres com vestidos de bolinhas, tranças no cabelo e pintinhas no rosto. A decoração da festa junina é muito importante e sempre cheia de cores e elementos que remetem às nossas origens caipiras, as bandeirinhas, os balões também são sempre usados para a decoração. A fogueira talvez seja o elemento mais popular de qualquer arraial de São João.

Ainda de acordo com a autora Heloisa Ribeiro toda a concepção das danças típicas tiveram influência francesa. A dança da quadrilha chegou ao Brasil no século XIX, segundo alguns autores com as missões artísticas francesas, e fez enorme sucesso no Rio de Janeiro. Posteriormente, foi adotada por diversos compositores nacionais - ganhando um "sotaque" brasileiro - e disseminou-se por todo o país, fazendo com que apareceram variações regionais. A lembrança da influência francesa se faz presente até hoje,nas quadrilhas juninas, onde a evolução dospares se faz guiar por palavras francesas aportuguesadas: "changê" (changer - trocar), "anavam" (en avant - em frente), "anarriê" (en arrière - para trás), "tur" (tour - fazer uma volta), "balancê" (balancer - balançar o corpo).








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Festa de São João no Clube União Operária,1946

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Baile de São João

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Baile Caipira realizado no Esporte Clube Barbarense. 23/06/1945


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