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Romi-Isetta - o primeiro carro de passeio fabricado no Brasil



Presidente Juscelino Kubitschek desfilando em um Romi-Isetta

O Governo de Juscelino Kubitschek iniciou-se em 31 de janeiro de 1956, iniciando um período desenvolvimentista através do Plano de Metas, estruturado em seis grupos: educação, alimentação, transporte, energia, indústria de base e a construção da nova capital.

Visando regulamentar o setor da indústria automobilística, criou-se, através do decreto 39.412, de 16 de junho do mesmo ano, o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia), subordinado ao Conselho do Desenvolvimento e presidido pelo almirante Lúcio Meira.

Ao Geia não cabia homologar os automóveis, mas, como descrito no artigo 1o do decreto, "Estabelecer normas diretoras para a criação da Indústria Automobilística Brasileira". O foco do Geia, portanto, era o setor automotivo, ou seja, definir as diretrizes básicas referentes à implantação dessa indústria no Brasil. Para esse objetivo, o Geia emitiria documentos, em forma de decretos assinados pelo Presidente da República, concedendo estímulos aos interessados na produção de automóveis.

Um dos decretos, o de número 41.018, de 26 de fevereiro de 1957, instituía o Plano Nacional da Indústria Automobilística, relativo a automóveis de passageiros. O decreto fixava os níveis de estímulo à atividade fabril, vinculadas a exigências de realizações manufatureiras que seriam impostas aos beneficiários dos estímulos. Entre as exigências (artigo 4o), era estabelecido um cronograma que determinava, para 1o de julho de 1957, um índice de nacionalização de 50% em peso. O Romi-Isetta, com 72% de nacionalização em peso, já superava amplamente esse índice desde seu lançamento, em 1956. No artigo 3o, entretanto, o Geia estabelecia em quatro o número mínimo de passageiros que um automóvel deveria transportar. A intenção era estimular a fabricação de carros utilitários, e não de luxuosos, esportivos.

Todos os investimentos para a produção do Romi-Isetta se realizaram num momento em que estavam ainda imaturas as metas de desenvolvimento de origem governamental, portanto nenhum estímulo foi utilizado - ou sequer solicitado: "Não foi necessário", afirmou Emílio Romi ao governador de São Paulo, Jânio Quadros, durante o lançamento. Emílio se referia à proposta paulista de estímulo à produção do Romi-Isetta, realizada em 1955 pelo Governo Estadual.

Com o Romi-Isetta já em produção desde 1956, o decreto 41.018 impactou apenas na composição do preço do veículo, que, sem a referência ao número de passageiros, teria permitido à Romi importar alguns dos componentes do carro a melhores preços, tornando-o mais acessível.

No entanto, ainda em 1957, a Romi já estava em fase avançada de estudos para introdução de novos modelos: Carlos Chiti, em visita à BMW na Alemanha, negociava uma associação entre as duas empresas, para produzir no Brasil novos modelos. O programa fixava como meta a produção anual de 5 mil unidades de diferentes veículos:
  • Modelo A: Romi-Isetta para dois passageiros.
  • Modelo B: Pick-up Romi-Isetta para 250 kg de carga útil, com 0,86 m3 de capacidade de carga.
  • Modelo C: Pick-up Romi-600 para 600 kg de carga útil, com 1,36 m3 de capacidade de carga.
  • Modelo D: Furgão Romi-600, carroceria fechada, para 600 kg de carga útil, com 3,17 m3 de capacidade de carga.
  • Modelo E: Romi-BMW 600, de uso misto, para quatro passageiros, 350 kg de carga útil, duas portas e velocidade máxima de 95 quilômetros por hora.

A meta de lançamento era 1958 e, para isso, a Romi adquiriu área de 50 mil m2 para a construção de uma nova unidade industrial. O investimento necessário à execução do projeto, que incluía também a aquisição de maquinário, totalizava 535 milhões de cruzeiros. O plano previa uma joint-venture entre Romi e a empresa bávara BMW.

Através da resolução 62, expedida pelo Geia ainda em 1957, o plano para a produção dos automóveis Romi foi aprovado.

A BMW, que produzia sob licença o BMW Isetta na Alemanha, enfrentava dificuldades financeiras devido a perdas sofridas durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), seguida, em 1956, pela crise do Canal de Suez. Como consequência, o plano para investimento em conjunto foi cancelado, e o projeto Romi teve de ser suspenso.

Linha do tempo:
Agosto de 1955 - assinatura do contrato entre Romi e Iso
31 de janeiro de 1956 - Início do governo JK
16 de junho de 1956 - Decreto 39.412, instituindo o Geia
30 de junho de 1956 - O primeiro Romi-Isetta, produzido com índice de nacionalização de 72%, deixa a linha de montagem
5 de setembro de 1956 - Lançamento oficial, em São Paulo, do Romi-Isetta, anterior às definições governamentais de estímulo ao setor
5 de setembro de 1956 - Início das vendas do Romi-Isetta
26 de fevereiro de 1957 - Decreto 41.018, Instituindo o Plano Nacional da Indústria Automobilística, relativo a automóveis de passageiros
Segundo semestre de 1957 - Romi apresenta plano industrial para produção de 5 mil carros ao ano
Segundo semestre de 1957 - Através da Resolução 62 expedida pelo Geia, o plano para a produção de automóveis Romi é aprovado

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