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Rede de Investidores do Interior Paulista discute estratégias para atuação em rede e traça planos para 2019





O dia 7 de dezembro marcou a realização da reunião de encerramento do ano de 2018 da Rede de Investidores (RIS) do Interior Paulista. Realizado na Fundação Romi, em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, o encontro teve como objetivo fazer uma retrospectiva dos encontros de 2018, pensar sobre as agendas prioritárias para 2019 e debater o tema principal do dia: atuação em rede.

Após uma breve apresentação da Fundação Romi – cumprindo a tradição de a organização anfitriã abrir o encontro com uma apresentação institucional –, Camila Figueiredo, gestora da Fundação Educar DPaschoal, uma das coordenadoras da Rede juntamente com a Fundação FEAC, fez um panorama sobre o surgimento da Rede. “Quando resolvemos propor a Rede ao GIFE, já havia um movimento da Secretaria de Assistência de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo que começou a conectar o pessoal do interior, por isso a constituição da RIS foi tão rápida”.

O primeiro encontro da Rede aconteceu em agosto de 2017 para definir a missão principal do grupo. Cerca de 27 participantes acordaram dois objetivos principais: a troca de experiências e a atuação conjunta de instituições do interior paulista. “O GIFE tem redes temáticas e regionais. Como uma rede regional, nosso objetivo é nos fortalecer no território, numa articulação voltada para o interior paulista, trocar experiências e elaborar soluções conjuntas. Eu acredito que há muitas organizações do interior, tanto empresas quanto ONGs, que devem se beneficiar mais rapidamente de todo o conteúdo das agendas estratégicas do GIFE como transparência, comunicação e indicadores. Como rede, eu vejo que precisamos de um esforço coletivo de trazer mais gente para o grupo.”

A reunião também foi oportunidade para fazer um balanço do Fórum InovaSocioAmbiental – Decodificando Negócios de Impacto. O evento aconteceu no dia 25 de outubro, em Campinas, dentro da 5ª edição do InovaCampinas, com o objetivo de educar empreendedores sociais do interior de São Paulo e fomentar a discussão sobre aceleração social, negócios sociais e 2.5, empreendedorismo social, inovação social e mecanismos de investimento social.

Em seguida, Camila percorreu rapidamente a agenda de encontros cumprida pela RIS desde sua criação, ressaltando apresentações de organizações parceiras e também os temas já debatidos pelo grupo como Indicadores, Avaliação e Monitoramento, Governança e Transparência e Voluntariado Empresarial.

Leandro Pinheiro, superintendente socioeducativo da Fundação FEAC, ressalta que é necessário dar o próximo passo frente à oscilação de participação de membros da RIS. “Eu participei do workshop de educação organizado pelo GIFE e um dos pontos que surgiu no debate, que eu acredito que faz todo sentido para a Rede, é dar um próximo passo para intensificar a atuação conjunta. Dessa forma, naturalmente o diálogo se intensifica e as organizações se aproximam. Todos falamos que a atuação em rede é importante, mas internamente quantos por cento do nosso tempo, energia e recursos dedicamos de fato a isso?”.

Por que atuar em rede?

Depois do momento de recapitulação, foi a vez de Luiz Bouabci, especialista em inteligência coletiva da Mob Inteligência em Rede, apresentar aos participantes alguns conceitos sobre atuação em rede como quais passos devem ser observados para o desenvolvimento de um trabalho em grupo.



Segundo o especialista, o tema de rede deveria ser natural para todo mundo, uma vez que essa é a forma que os seres humanos naturalmente se organizam em sociedade, sendo que existem três possíveis níveis de interesse na conexão com outras pessoas: um pré-vínculo afetivo, uma relação de confiança ou um interesse meramente material.

“Quando comecei a fazer esse trabalho de mapeamento das relações, vi que tão importante quanto entender como as pessoas se agrupavam, usando um pouco da matemática e da inteligência artificial, era entender porque as pessoas se conectavam. Pouco a pouco fui experimentando e entendendo que, através do discurso delas, era possível entender o que tinham em comum, como se colocavam, como viam o mundo e tudo aquilo facilitava o agrupamento”, explica Luiz.

Entre exemplos e conceitos, ele ressaltou que o importante é aproveitar as oportunidades, como por exemplo, estabelecer conexões mesmo a partir de trocas meramente materiais. “Existem casos de organizações que estavam tentando fazer processos de mudança cultural e os funcionários estavam muito baseados em metas individuais. No caso de organizações em que as pessoas objetivam somente o lucro, falar que elas devem fazer parte de uma rede é perda de energia. Uma alternativa é criar métricas onde, trocando conhecimento, a pessoa tem acesso a mais remuneração. Com o tempo isso vai se transformando porque ela passa a sentir prazer em estar no grupo. Um estudo recente de Harvard aponta que as pessoas em estágio final de vida reconhecem que aquilo que de mais valor tiveram foram as relações.”

Durante sua apresentação, Luiz apresentou aos participantes uma escala dos vínculos de confiança. No nível mais baixo, as pessoas simplesmente coexistem e convivem. O nível seguinte é a colaboração, onde cada pessoa ou organização trabalha um certo grau de desapego do seu modo de fazer, o que, segundo Luiz, é um dos movimentos mais difíceis para as Organizações da Sociedade Civil (OSCs). “A colaboração é justamente esse lugar onde eu consigo abrir mão de coisas em função de algo maior, um propósito. Do meu ponto de vista, é o lugar mais viável para que as organizações consigam aumentar seu impacto.” O último nível da escala é a copropriedade. Segundo Luiz, um exemplo desse estágio é o movimento da Primavera Árabe.

Dentro desse panorama, o especialista ressalta a necessidade de deixar de lado o que chama de ’ego organizacional’, que coloca as possibilidades de colaboração a perder. Para isso, a primeira decisão a ser tomada por uma pessoa ou organização é: ’eu quero estar em rede e colaborar?’.

Se a resposta for sim, existem três opções de colaboração, segundo Luiz. A primeira é a partir da criatividade, quando duas pessoas ou organizações enxergam oportunidades e criam algo juntas. Já a segunda opção é a partir da conectividade, seja algum conhecimento, expertise ou experiência, e a terceira opção de colaboração é uma junção das duas anteriores.

Em qualquer uma dessas opções, Luiz ressalta que seus anos de experiência com o tema provam que alguns passos devem ser obedecidos para a colaboração dar certo. O primeiro deles é sair do lugar comum ’colaborar é legal’ e definir claramente quais são os objetivos dessa conexão, seguidos pela definição de papéis e responsabilidades dos envolvidos. E, por fim, o estabelecimento de regras claras e indicadores que possam entender se determinado trabalho em conjunto está produzindo resultados.

Planejamento estratégico

Depois da exposição, a terceira parte do encontro foi destinada ao planejamento estratégico da Rede para 2019. Em um primeiro momento, a co-fundadora da Rede, Camila, representando a Fundação Educar DPaschoal, passou o bastão da coordenação adiante. “Do ponto de vista da Fundação Educar, nós acreditamos que rodar a coordenação é uma forma muito importante de engajar outras instituições, afinal é o interesse dos outros que mantém a rede viva, mas vamos continuar participando e colaborando”. A partir de 2019, o Instituto Estre passa a integrar a coordenação da Rede juntamente com a Fundação FEAC. Manter um dos membros é uma estratégia para dar continuidade ao histórico de atuação do grupo.

Há um ano e meio na coordenação da Rede, Camila avalia que a atuação da RIS até o momento cumpriu os objetivos estabelecidos em sua primeira reunião, que conversam diretamente com um dos propósitos da Fundação Educar DPaschoal de fazer uma articulação doando tempo, informação e conhecimento e realizando trocas com quem quer ampliar sua atuação social.

“Quando levamos a proposta para o GIFE de criar a rede, a nossa intenção era ampliar o número de organizações, empresas, institutos e fundações que estivessem fazendo uma reflexão sobre as agendas do terceiro setor e aproveitar as agendas estratégicas do GIFE para o interior do estado de São Paulo, principalmente na região metropolitana de Campinas.”

O momento também serviu para que os membros definissem questões pontuais sobre o funcionamento do grupo como a periodicidade dos encontros, rotação dos lugares onde as reuniões acontecem e também destacar o fato de que para participar da RIS não é preciso ser associado ao GIFE.

Além disso, a escolha de uma causa comum para a atuação da Rede foi um ponto de concordância durante a reunião, uma vez que as organizações da RIS pertencem às mais diversas áreas de atuação. Equidade e diversidade foi um dos temas sugeridos para 2019, com a criação de uma identidade visual da Rede considerando o assunto. Posteriormente, a ideia é elaborar de forma conjunta um documento de apresentação da Rede.

Para o ano que vem, ficaram pré-estabelecidos cinco encontros, a começar em fevereiro, com um esforço conjunto dos membros da RIS na divulgação das pautas e da Rede em si.

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